Rédeas, cabresto, bitola. A imagem de um cavalo ou burro submetido, tão duramente, à vontade alheia remete mesmo ao conceito de liberdade. Ou melhor, de sua ausência, de sua castração. Se o peito dói de piedade ao se vislumbrar um desses animais, de vontade tão subjugada, que dirá sentir o golpe do chicote nas próprias costas, seja qual for o elemento controlador na cela? Sentir-se passivo, bitolado, boneco de ventríloquo, privado do direito de ir, vir, voltar e virar não parece digno nem aos espíritos mais inertes. Não se trata de aceitar sugestões, seguir conselhos, atender a pedidos, obedecer ordens convencionais - atitudes naturais de uma disciplina necessária e de uma organização benéfica. O que fere é o açoite de não poder ser, estar, permanecer ou exercer outros verbos de ligação. E não se sabe quão magnífico é ser livre até que se experimente da privação de autonomia. Não é possível optar, decidir quando e como, nem ir onde se quer. Seja assim e assado; isso é certo e aquilo, errado; faça agora e não depois; se não agir assim, serás mau.Cavalos não reclamam. Burros aceitam, resignados, a carga. Devem comer capim, usar ferraduras, carregar fardos, seguir comandos e atender ao direcionamento imposto. Devem também eles sonhar com as asas de Pégasus adentrando esferas celestiais as mais belas. Devem sentir o sabor das nuvens e da crina sem amarras.
Liberdade não precisa ser voo irresponsável, mas galopes ritmados ao gosto do vento. E todo aquele que priva um ser de ser desconhece a dor de querer, mas não poder.






