31 de março de 2009

Abre as asas sobre nós

Rédeas, cabresto, bitola. A imagem de um cavalo ou burro submetido, tão duramente, à vontade alheia remete mesmo ao conceito de liberdade. Ou melhor, de sua ausência, de sua castração. Se o peito dói de piedade ao se vislumbrar um desses animais, de vontade tão subjugada, que dirá sentir o golpe do chicote nas próprias costas, seja qual for o elemento controlador na cela? Sentir-se passivo, bitolado, boneco de ventríloquo, privado do direito de ir, vir, voltar e virar não parece digno nem aos espíritos mais inertes. Não se trata de aceitar sugestões, seguir conselhos, atender a pedidos, obedecer ordens convencionais - atitudes naturais de uma disciplina necessária e de uma organização benéfica. O que fere é o açoite de não poder ser, estar, permanecer ou exercer outros verbos de ligação. E não se sabe quão magnífico é ser livre até que se experimente da privação de autonomia. Não é possível optar, decidir quando e como, nem ir onde se quer. Seja assim e assado; isso é certo e aquilo, errado; faça agora e não depois; se não agir assim, serás mau.
Cavalos não reclamam. Burros aceitam, resignados, a carga. Devem comer capim, usar ferraduras, carregar fardos, seguir comandos e atender ao direcionamento imposto. Devem também eles sonhar com as asas de Pégasus adentrando esferas celestiais as mais belas. Devem sentir o sabor das nuvens e da crina sem amarras.
Liberdade não precisa ser voo irresponsável, mas galopes ritmados ao gosto do vento. E todo aquele que priva um ser de ser desconhece a dor de querer, mas não poder.

4 comentários:

Anônimo disse...

Quando sabemos tão bem a dor do açoite é porque já açoitamos ou estamos açoitando alguém, a dor é compartilhada.Deveríamos,quando isso acontece procurar os motivos e compreender é o melhor caminho,nada acontece conosco se não pela nossa responsabilidade e assumir nossos atos é um bom começo e a sabedoria em conduzir e lidar com esses imprevistos tão suaves, se entendermos que são linhas evolutivas que se criaram especialmente para nós.Tudo tem dois lados, nosso e o dos outros,todos sofrem as dores da lucidez,uns mais ,uns menos...Fazer disso uma justificativa para outros problemas é muito cômodo.Compreenda e aceite suavemente o que a vida tão sabiamente lhe deu e lhe dá e descubra a maravilha de vida que te espera.Sem chicotes e açoites.
Boa conscientização pra vc que merece tudo de BOM!

Solin disse...

hahhahaha
um século depois eu conheci King. meu namorado e eu fazíamos caretas a cada teoria
kkkkkkkkkkkkkkkk

^^

solin disse...

eu n entendi o finalzinho.
eu com minhas antices.

mas sabes, as vezes me questiono o porquê q trazemos mitos como aqui se faz, aqui se paga, nos privando do erro.
quem é fraco acaba por se tornar escravo de umas histórias assim.

contudo, tadinho dos burros.

Ju C. de Andrade disse...

Ai, ai... again!