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12 de março de 2009

Está escrito?


"Maktub", "Está escrito", gritam hindus, astrólogos, leitores de Paulo Coelho e demais compactuantes da crença no destino. Não haveria coincidências, acaso, acidentes. Fatos e emoções estariam todos registrados num livro previamente escrito pela Providência ou algo transcedental a esta esfera terrestre. Os que crêem no destino são inegavelmente confiantes, portadores de fé inabalável, de um brilho nos olhos latente e invejável serenidade. Por outro lado, o excesso de certeza nas cartas marcadas do Jogo da Vida pode levar ao fanatismo ou à inércia para transformar, evoluir. Acreditar no acaso seria talvez o avesso do sentimento dos destinistas. Acaso é para os que nutrem interesse pela aventura de viver sem rédeas predestinadas, responsabilidades assumidas ou culpas. Materialistas, desapegados ou simplesmente amantes da coragem de mudar e interferir no futuro, ignorando o peso das circunstâncias. Afinal, o livro dos dias já vem publicado ou nos oferece páginas em branco? Somos meros personagens obedientes do roteiro da Providência ou senhores da vida expostos às surpresas e aos imprevistos da Sorte? Frente à incoveniente dúvida filosófica - responsável por boas crises existenciais -, talvez caiba um meio-termo. E chamam-no livre-arbítrio. Confia-se nas linhas traçadas pelo Alto, embora se tenha certeza de que a própria mão ajudou a escrevê-las, dando plenas liberdade e responsabilidade sobre o que se faz, mesmo nas mais inocentes curiosidades da vida. Espiritualistas, reencarnacionistas, filósofos pós-modernos ousam assumir o lápis em punho. E nós? Lemos e dizemos amém; rabiscamos as folhas brancas ao nosso bel prazer ou assinamos embaixo? Se, por acaso, acreditar em destino, esteja livre para arbitrar e optar.