2 de setembro de 2008

Isso de que não ouso dizer o nome


Não saberia responder. Não sobre ele, a interrogação. Os pretenciosos - e tão pobres - conhecimentos sobre a escorregadia alma masculina não parecem funcionar naquela atmosfera nebulosa que o circunda. E rarefeita. Tragam-me ar, por favor. Não, não me sinto bem assim nessa neblina - quente aqui. As mãos pegam fogo. Dêem-me água, imploro. Pensando melhor, sinto-me bem. Mas não sem assumir minha condição de analfabeta de seus anseios. Anseio por algo que nem sei se aceito. E ainda assim desejo. Ler, soletrar, pronunciar em seu ouvido tudo o que minha boca não ousa falar. Mergulho, pois, nessa névoa e permito-me embriagar de exclamações. Que as vírgulas fiquem embaixo dos lençóis. E o ponto bem longe do final.

5 comentários:

nobody disse...

a leitura do título me trouxe na hora uma música linda-linda:

Isso que não ouso dizer o nome
Isso que dói quando você some
Isso que brilha quando você chega
Isso que não sossega
Que me desprega de mim
Isso tem der ser assim
Isso que carrego pelas ruas
Isso que me faz contar as luas
Isso que ofusca o sol
Isso que é você e sou sem fim
Isso tem de ser assim

(Chico César)

Venus in Furs disse...

E que as exclamações tomem o lugar das interrogações!

Beijos, amora!

Anônimo disse...

espero que essa interrogação não seja alguém específico no seu texto tão perfeito. E sim somente esbanjamento de criatividade e proeza literária.
Ass: Acento circunflexo

Renatinha disse...

Uia! Assim me "trema" de medo e de agudos. =P. Sem traves ou travessões, por enquanto.

Renatinha disse...

Obrigada pela observação, Alê lindão exclamação! =*