7 de setembro de 2009

Manual dos gigofuçus


Sueli, personagem da vida real já apresentada por estas bandas, amarga uma revolta. Por outro lado, gaba-se da larga experiência num mundo muito particular, o dos gigofuçus - misto de gigolô e cafuçu. Observara, em suas infames experiências, que os representantes da classe seguem manual de instrução (também conhecido como a bíblia ao avesso ou guia do cão...). Condensou, portanto, em nove as leis que regem os gigofuçus, e pede às moçoilas desavisadas que fujam dos tipos como o diabo foge da cruz. Sigam-na as boas e peguem-se os bons:


Manual dos gigofuçus - As 9 leis
by Sueli

"Artigo 1

Parágrafo 1: O homem tem que ter palavra (kkkkkkkkkkkkkkkkkkk, parece piada, mas não é. Eles realmente pregam isso )
Parágrafo 2: Por que gastar o meu quando posso gastar o seu?

Parágrafo 3: Há três coisas que me excitam em uma mulher: os peitos, a bunda e a chave do carro!

Parágrafo 4: Para ter sucesso na vida, não é preciso ter mais que o ensino fundamental.

Parágrafo 5: Homem não mente, homem esquece de contar.

Parágrafo 6: Colocar crédito no celular? NUNCA! Qualquer coisa, ligo a cobrar!

Parágrafo 7: Se eu usar camisinha, como irei sentir seu calor?

Parágrafo 8: Motel bom é aquele em que eu só preciso gastar meu pinto!

Parágrafo 9: Eu faço amor gostosinho, mas meu preço não chega a um real!"

19 de agosto de 2009

Quatro pedras na mão

É preciso raiva por vezes. Assumir que assim se sente; que quer morder, estraçalhar, esmurrar, gritar, espernear e chorar bem muito, até que o veneno seja excretado. Raiva é feio, mas é bom de sentir quando se torna um desabafo, um modo autêntico de tirar o cão de dentro, de manifestar que está ruim e que não se aceita o pior. Por que engolir mais um sapo, fingir que não se importa com mais uma atitude reprovável de alguém? Dar aquele risinho sonso de "nem te ligo"? Fingir que é um brother e fazer/receber confissões? Raiva, raiva de como as coisas não são como gostaríamos, de como as pessoas são medíocres (e nós também), de como elas não têm culpa de não serem do nosso gosto e, ao mesmo tempo, merecem todas as pedras. E que as pedras façam sangrar, como sangra em nós a mágoa pelo que existe e não se muda. Realidade, sobriedade, fato, óbvio...tudo fonte da raiva. Ilusões, desejos alimentados, viagens de coração nos dão o bálsamo necessário ao gozo, à tranquilidade e ao conforto da mentira em que apenas nós acreditamos e pela qual lutamos até a morte. Quando a morte chega, desses devaneios insustentáveis, a raiva domina - e ela só é merecida por nós mesmos, os responsáveis pela expectativa burra. Auto-ódio incomoda, mas é preciso. Beliscões nas bochechas frente ao espelho, grito alto e até uns murros na parede, uma coisa psicopata mesmo - bem O Iluminado - ajuda a acabar com o otário que há em nós. Bufar, rosnar,xingar, puxar cabelos...depois da descarga de mal, vem a bonança. Assim se espera. Aliás, esperar é o car...!!!

17 de agosto de 2009

Seco


O gole é seco, mas o sangue, rubro
Entra assim sem cerimônias teu desejo em mim
Tanto que, às vezes, sorvo e nem percebo
Quanto és tu e quanto sou eu nesse mar sem fim
Nesse sempre inquieto embaçar de lábios mudos

Faz-me triste ou faz dormir
E em Morfeu tanto repousei apenas por tua embriaguez
Fora dela não houve salvação
E talvez nem haja agora maior sensatez

Sei apenas meu não querer ser menos
Que tuas medíocres musas o são
Um complexo de Dionísio paira em meu sangue
E não ver paisagem sob nós já faz vão
Todo o sentimento puro
Todo o amor maduro
Que oferto assim sem querer

Para evitá-lo preciso beber
Mais um gole apenas de tu, vinho
Para esquecer meu solitário caminho
Que nego a tantos somente por saber
Nome e sobrenome da perdição

E só resta clamar à razão
Que me ajuda a dizer que é não!
Que apesar de tão forte empatia
Da nobreza cúmplice de todo dia
Não são meus os teus sabores mais fortes
Nem tem cheiro de mim tua sorte

Sai, então, pelo suor, pelo calor!
Assim some fatiada essa dor
Que teus cálices homeopáticos me causam
Toda noite antes de deitar
Vinho espesso, noite longa
Dia triste, longe e perto

Me ajuda a te tirar
De tudo o que seja íntimo
Mesmo que a retina registre em tortura
O líquido cruel de teu sorriso
Me tira essa verdade dura
Que agora não mais reinará

Vinho, embriaga-me mais uma vez
Que amanhã sem ti vou acordar.

5 de agosto de 2009

Os opostos se distraem


Desavisados certamente taxarão de preconceituoso, pedante ou discriminativo este textinho sobre mundos sociais distintos. Caso seja válido o artifício da desculpa, é importante frisar que se trata apenas de constatações naturais que, com medo de pecar e ser do mal, as pessoas evitam até mencionar. No entanto, ninguém se choca com patricinhas se divertindo com cafuçus do morro, como fossem artigos exóticos para usar e de quem rir. Do mesmo jeito com senhores empresários acostumados aos antros mais baixos de prostituição, que se assemelham às senzalas visitadas por eles quando no Engenho do passado de escravidão. Sem tanto drama, o que se observa é a relevância, não do fator econômico, mas do quesito cultural no andamento de relacionamentos amorosos. De início, tudo são flores - roubadas, de floricultura cara ou de plástico -, o espírito Romeu e Julieta manda pastar as diferenças sociais e os pombinhos fazem amorzinho gostoso no melhor estilo "nosso amor é tão bonito, mas seus pais não querem nossa união/dizem que a pobreza é lixo e que rapaz pobre não tem coração". Em matéria de tesão, para boa parte das criaturas, o que menos importa é grau de instrução, se já leu mais de meio livro na vida ou se não sabe a diferença entre camudongo e comunismo. Com o passar dos tempos, o frigir dos ovos e o esfriar dos hormônios, começam os incômodos. Ela evita sair em grupo com vergonha do pouco conhecimento gramatical dele. Ele liga para a amiga após o filme do cinema, pois, nas partes em que estava acordada, a namorada não entendeu. Os amigos cults não vão interagir com o cônjuge. Ela vai brochar os projetos dele por uma ignorante implicância. Vai faltar conversa no jantar (há coisa pior?). Apareçam os mais diversos entraves, os sintomas são de falta de sintonia, conexões desencontradas, delay, distância de tempo e espaço, confusão de sinapses. É triste, mas, quando é questão de ritmos distintos, a tendência é o insucesso. E só porque as criaturas não escolhem como companheiros gente com condição de companhia sua. Pobre, rico, feio ou bonito, a questão é: sintonia. Somente. Simples assim. A não ser para encobrir frustrações como auto-estima baixa, insegurança emocional e até completa incompetência de manter uma relação saudável, opostos não se atraem. Não significa que casais devam ser parecidos e, consequentemente, hermanos, contudo há de imperar afinidade mais do que básica, algo que justifique a cumplicidade - essa não morre com o passar do frisson. Enquanto o despertar para o outro se baseie em beleza, conveniência e padrão, sonhos diferentes ficarão no plano virtual; caminhos serão destruídos, sementes abortadas. A incapacidade de se permanecer só é a grande vilã de relacionamentos que só desgastam nosso íntimo já tão desconfiado. Esperar, enxergar e se conhecer: eis a ordem para não perder tempo e evitar mágoas. E, se o certo não existir nesta vida, que os errados, ao menos, estejam na mesma conexão.

27 de julho de 2009

Retrô


Difícil, mas menos triste do que imaginava admitir a nostalgia como companheira de vida. Emitir repetidamente o mantra "na minha época", observar fisionomias inertes em resposta à sua empolgação durante um Depeche Mode song, dividir espaço com senhoras quase idosas para tocar os pelos do braço de Paulo Ricardo (afemaria). Mais do que um sinal de Balzac, ter naftalina no sangue tem gosto de Xaxá. Fechar os olhos ao ouvir A little respect (Erasure), qualquer uma de The Smiths, blablabla é como assistir aos melhores filmes da prateleira, sendo você o protagonista de cenas românticas, cômicas e bizarras. O gosto pelo antigo perde um pouco o controle quando você ganha apelidos como Jukebox, Pablo ou Rosana, é verdade. Mas há vantagens inúmeras em ser um tipinho anos 80, como o fato de ser taxado de ridículo pela própria natureza, sem causar espanto se aparecer com camisa preta de Legião Urbana ou ursinho Blaublau na mão. Além de momentos solitários de diversão, as lembranças da "nossa época" podem causar gargalhadas em grupos - com exceção de estagiários e primos adolescentes, que te olham como E.T durante os comentários -, festinhas animadas, karaokê engraçadinho, entre outros programas que lhe façam lembrar de como você já foi divertido. Não que seja tedioso curtir as modernidades e artifícios de vanguarda; mas lembrança boa é uma delícia. Saudoso amante profissional, que era moreno, alto, bonito, sensual e ainda a solução dos seus problemas. Recordações de quando você era a garota dourada, que não dizia nem que sim nem não. Lágrimas (e chuva) com Kid Abelha; lágrimas (no escuro) com Lobão. Ai daqueles que não sentirem uma dorzinha boa ao recordar uma época. Ai de nós se não tivermos essa saudade desta época de gosto duvidoso.

20 de julho de 2009

Irreversível


"O que é demais nunca é o bastante, e a primeira vez é sempre a última chance". Ok, eu sei que Legião é auto-ajuda tanto quanto vocês sabem que pouco me importo com tal fato. A verdade é que todos os lugares-comuns têm um fundo de cidade. Bom pensar na chance única dos fatos e feitos para não esperar pelo incerto. Decerto, nem se sabe se o amanhã virá, ou se ele será propício a vivências que nos parecem importantes hoje. Talvez não reflitamos muito sobre esse valor aqui-e-agora de atitudes e principalmente de pessoas. Ao contrário, descartamo-nas sem bem nos darmos conta de quão feio pode nos aparentar esse ato quase involuntário. Descartáveis de acordo com nossa fases/objetivos/intenções, as criaturas vão e vêm como num jogo de cartas marcadas, que podem se perder pela manga ou no cantinho da mesa. Triste observar como todos fazemos esse mesmo jogo, um totó com bonecos de tinta descascada, a sinuca da periferia da cidadela de interior. Somos peças, ativas ou passivas, mas sempre manipuláveis e manipulantes. Não há de se assustar. Apavora é a ideia do irreversível. E se fizemos a jogada errada? E se o blefe não deu certo? Cartas na mesa, jogo feito. Não voltam as peças a dançar conforme nossa música. Jamais terão aquele brilho no bailar das nossas tramas, do nosso bel-prazer. E como poderíamos tê-las feito ganhar...Deixamos passar, pois. Se não as teremos como antes, ao menos façamos delas mais do que pedras de um dominó ímpar, quando poderemos sentir falta de partidas mais dignas que não acontecerão.

6 de julho de 2009

Terapia do porquê

Lições de gramática não seriam tão desinteressantes quanto falar de porquês, sabe-se, mas a ideia aqui não é explicar por que eles devem ter acento, separar-se ou outros diferenciais. O desejo é mais simplório: entender e respeitar essa bela união da preposição com o conectivo, tão banalizada na vida normal quanto na norma gramatical. O porquê significa motivo, é a razão de se efetuar algum ato, o basicão start para se tomar atitudes. Todavia costumamos esquecer desse detalhe literal e puro, que deveria ser a base para nossas ações. Como em tantos outros atos de teimosia, deslumbramento ou estupidez mesmo, preferimos o por que não? ao esperado por quê? Agimos como fôssemos levado pela primeira onda que surge no mar de tédio; se a vida está inerte, por que não aceitar essa ou aquela proposta? Por que não topar os programas mais ou menos que nos sugerem? Na verdade, sequer paramos para refletir se temos vontade de agir de tal forma, se algo nos impulsiona, se aquilo vai nos acrescentar algo. É o tal do porquê negligenciado, desprezadinho - o pobre - por trás de um bando de coisas sem noção, sem graça e principalmente sem sentido. E é fácil reconhecer quão idiotas somos nesse quesito motivo. Quem de nós faz a perguntinha "há razão que justifique?" intimamente diante de convites, ideias e atos malassombrados que nos venham à tona? Ao contrário, nos apegamos a qualquer coisa que vá nos levando do suposto marasmo de nossa vida chatinha. Parece que nem temos razão de viver, objetivos, estímulos e sonhos. Lesmas que dormem e acordam, locomovendo-se à sorte do que vier pelo caminho. Nem tudo está perdido, no entanto. A Terapia do Porquê existe para nos salvar dessa lama de joselitice, da triste passividade de não agir racionalmente. Tratemos desse mal abusando do porquê. Perguntemos, a cada simples ato, se existe algum motivo para tal ação. Façamos programas que nos interessem de algum modo, seja mesmo o mais banal; aceitemos o que seja bom para nós, o que faça sentido. Talvez tenhamos menos do que reclamar. Menos calorias ingeridas sem fome; menos ressaca sem vontade; menos relacionamentos frustrados. Com certo tempo de adestramento, já nem achamos graça no que antes pareceria intrigante. Incrível como nos faz economizar suor, saliva e sarna pra coçar. Mais do que nos preocuparmos com acentuação e grafia, vamos dar valor ao verdadeiro sentido do porquê, esse bonitinho que só quer a merecida atenção.