5 de agosto de 2009

Os opostos se distraem


Desavisados certamente taxarão de preconceituoso, pedante ou discriminativo este textinho sobre mundos sociais distintos. Caso seja válido o artifício da desculpa, é importante frisar que se trata apenas de constatações naturais que, com medo de pecar e ser do mal, as pessoas evitam até mencionar. No entanto, ninguém se choca com patricinhas se divertindo com cafuçus do morro, como fossem artigos exóticos para usar e de quem rir. Do mesmo jeito com senhores empresários acostumados aos antros mais baixos de prostituição, que se assemelham às senzalas visitadas por eles quando no Engenho do passado de escravidão. Sem tanto drama, o que se observa é a relevância, não do fator econômico, mas do quesito cultural no andamento de relacionamentos amorosos. De início, tudo são flores - roubadas, de floricultura cara ou de plástico -, o espírito Romeu e Julieta manda pastar as diferenças sociais e os pombinhos fazem amorzinho gostoso no melhor estilo "nosso amor é tão bonito, mas seus pais não querem nossa união/dizem que a pobreza é lixo e que rapaz pobre não tem coração". Em matéria de tesão, para boa parte das criaturas, o que menos importa é grau de instrução, se já leu mais de meio livro na vida ou se não sabe a diferença entre camudongo e comunismo. Com o passar dos tempos, o frigir dos ovos e o esfriar dos hormônios, começam os incômodos. Ela evita sair em grupo com vergonha do pouco conhecimento gramatical dele. Ele liga para a amiga após o filme do cinema, pois, nas partes em que estava acordada, a namorada não entendeu. Os amigos cults não vão interagir com o cônjuge. Ela vai brochar os projetos dele por uma ignorante implicância. Vai faltar conversa no jantar (há coisa pior?). Apareçam os mais diversos entraves, os sintomas são de falta de sintonia, conexões desencontradas, delay, distância de tempo e espaço, confusão de sinapses. É triste, mas, quando é questão de ritmos distintos, a tendência é o insucesso. E só porque as criaturas não escolhem como companheiros gente com condição de companhia sua. Pobre, rico, feio ou bonito, a questão é: sintonia. Somente. Simples assim. A não ser para encobrir frustrações como auto-estima baixa, insegurança emocional e até completa incompetência de manter uma relação saudável, opostos não se atraem. Não significa que casais devam ser parecidos e, consequentemente, hermanos, contudo há de imperar afinidade mais do que básica, algo que justifique a cumplicidade - essa não morre com o passar do frisson. Enquanto o despertar para o outro se baseie em beleza, conveniência e padrão, sonhos diferentes ficarão no plano virtual; caminhos serão destruídos, sementes abortadas. A incapacidade de se permanecer só é a grande vilã de relacionamentos que só desgastam nosso íntimo já tão desconfiado. Esperar, enxergar e se conhecer: eis a ordem para não perder tempo e evitar mágoas. E, se o certo não existir nesta vida, que os errados, ao menos, estejam na mesma conexão.

3 comentários:

Marcelo disse...

Percepção aí é bóia. E a maneira como vc descreve isso é duma cordura. Ainda que eu não concorde exatamente. É, e ponto.
Bacione, b.

Solin disse...

sim, me disseram que os casais precisam parecer 70% pelo menos nos gostos. mas em questão personalidade, jeito, um tímido e o outro extrovertido, por exemplo, acredito mesmo que se atraem.

Rafaela disse...

aiin amoores , eu não consigoo enteender :\