7 de agosto de 2008

Autodoação


Para os amiguinhos que riram da minha mudança de auto-suficiente para apreciadora da ajuda alheia (supostamente assumida no post anterior), a prometida letra da musiquinha que fiz aos 15 aninhos, na sala de aula, achando a coisa mais séria do mundo. Até os 18, alguns dos amiguinhos que já me conheciam cantavam e também achavam a coisa mais séria do mundo. Dois fizeram as melodias mais sérias do mundo para adaptar. Ah, como era bom ser a maior ridícula do mundo! Ao menos, ainda levo o rock'n'roll a sério...mas não preciso ser uma camisa-preta baixo-astral, né?
***
Autodoação
Nuvens frias pela praia
Peixes mortos no porão
Cortina de seda nos rochedos
Violetas pelo chão

Sintos as veias inflamarem
Com teus olhos torturantes
Pétalas e mantos negros
No marasmo de um instante
(Refrão)
Eu queria ser meu próprio caminho
Mas meu peito não sabe pulsar sozinho
Eu queria ser meu próprio caminho
Implorar sob os meus pés.
(2 x)

Preciso me dar uma chance
De lutar contra o inconstante
Digerir minha consciência
Pedir-meu um pouco de paciência

Enquanto meu barco não naufraga
Meu espírito não se afoga
Quero ouvir os meus próprios gritos
E morrer sobre a minha cova.

(Refrão)

5 de agosto de 2008

Primeira pessoa do plural

"Felicidade só é real quando compartilhada". A frase X do filme despretencioso ao qual assisti numa noite de domingo, a última de férias, ficou martelando no meu sono iminente (o último das férias?). Passamos tanto tempo da vida buscando a independência, a individualidade, o umbigo...até descobrir que contar o filme depois tem menos graça do que comentar com quem está segurando o saco de pipocas ao lado. Mostrar as fotos da paisagem apreciada nem se compara ao prazer de olhar e dizer nada a dois ou mais. E o compartilhar não significa enlace, companhia do sexo oposto. Simplório limitar de tal forma as relações. Dividir impressões, trocar confidências, falar sobre o óbvio, rir do mundo. Eis o não ser sozinho. Eis os pares e ímpares. O porquê de os álbuns de fotografia não expressarem mais do que as conversas nostálgicas sobre momentos vivenciados aos muitos. Os individualistas que me perdoem, mas companhia é fundamental. Passada a adolescência e os divisores de águas, fica mais gostoso experimentar o "nós", pois, além de se reconhecer a pobreza do "eu", elege-se com precisão os verdadeiros merecedores de um café, de um abraço, de uma confissão, de uma aliança. Apoiar-se nas próprias pernas e respeitar a identidade é sabedoria. Isolar-se no alto do ego, no entanto, é coisa de rebelde sem causa, charminho infantil, necessidade de provar uma auto-suficiência que não existe. Dessa perspectiva pequenina, a escolha do ser humano parece simples: expor-se à bagunça e ao barulho dos divinos/mundanos humanos ou (tentar) fugir do fantasma da solidão mantendo ligados a TV e o rádio.

31 de julho de 2008

Jargão do coração


Dizem que ter um filho é ver seu coração bater fora do corpo. E que, em coração de mãe, sempre cabe mais um. Que, às vezes, ele ameaça sair pela boca. Que amor com amor se paga. Que amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito.
E tantos jargões, ditos e verdades, ainda assim, não são capazes de mensurar todas as habilidades e superpoderes desse romântico órgão. Coração também é elástico, inflável, invisível, divisível, multiplicável, camuflável, desdobrável. Sim, desdobra-se fácil, não? Ao menos o meu tá aqui, tá no Rio, em Petrolina, em Brasília, em Porto Alegre, em São Paulo...aliás, soube que ele está até procurando apartamento em Sampa, ó. É que nobres e invulgares habitantes deste posto cardíaco estão indo aos montes para lá. De avião e saia. De cabelos modernos. Com e sem acompanhante. Com e sem aliança. Sem passagem de volta. Com sorriso no rosto, brilho nos olhos... Impossível estar triste. E os meus olhos apenas umedecem. Não iria inundar meu super-herói pulsante. Até porque ele atravessa limites geográficos em segundos e até ensaia alguma telepatia. Não, coração, vou te deixar livre mais uma vez. Vá e volte, dance e pule, transcenda. Sim, coração, qualquer dia, eu volto a te encontrar.

25 de julho de 2008

A gorda e o Vale A


- Boa tarde. Deixa eu passar pela catraca que te dou a passagem. Pro sorvete não cair (risinho simpático).

- ...

Cinco minutos depois, cobradora de olho no sorvete:

- Vai ficar ainda mais gorda!

- ¬¬

21 de julho de 2008

Nada


Como procurar pela alma
Se faltam ainda as cores? Onde?
Tento, em vão, distinguir o sal
Mas é só água do mar...
Antes fossem lágrimas.

A chama morna não trepida, fumaça.
Fumaça? Também ela é inodora.
Antes exalasse terrível odor sufocante.

Só incomodam (ainda) os cigarros
E os 'despertares' de madrugada.
Só me comove a infância...
Todo o resto é nada.

17 de julho de 2008

De volta à janela

A internet escraviza. Ficar sem ela liberta, certo? Ao contrário: senti-me presa a um mundo pequeno, o meu. Meu mundo é bom, mas prefiro portas e janelas abertas. Janelas, janelas piscando, isso sim. E sucumbir ao internético não é optar pelo virtual em detrimento da realidade. Acho que é o mesmo que querer vencer minha miopia, na tentativa de enxergar mais longe e melhor. Bingo! Estar conectado é como usar óculos: você não precisa dormir com eles, mas depende dos danados pra ver além dos limites míopes. Enfim, estou de volta, queridos. Té daqui a pouco.

11 de julho de 2008

Férias dão trabalho

É, de férias. Teoricamente mais tempo pra fazer coisas legais, como escrever no bloguinho. Rá. Trabalhos por fora, filhotes enlouquecidos queredo passeio e sem net na casa nova ainda. Mas isso passa. Afinal, eu mereço sombra e internet fresca, não? Volto já.