
Seria cômico não fosse trágico. Fazer rir, provocar risadas ou espasmos de diversão, neste mundo cão (rimou!), é mais difícil do que causar males em geral. E quem não tem o dom, o talento nato de palhaço ou, ao menos, uma cara de bunda - da qual o povo ri de graça -, ao tentar dar uma de engraçadinho, pode perder o amigo e a piada e, de quebra, ganhar fama de tabacudo(a). Já os humoristas de carteirinha ou de berço fazem a alegria da galera, animam uma festa como ninguém, são considerados indispensáveis na mesa do bar e costumam ser convocados como companhias ideais para curar a tristeza alheia. Uma amiga, dessas que fazem azul a rotina no trabalho, provoca sorrisos ao narrar os foras que costuma dispensar a idiotas de plantão. E o faz em siglas e mugangas. Vocabulário da magrinha: "Te enxerga, KLB!" (Ki Lapa de Bucho); "Ah, rato! (Ratomar no cu); entre outras coisas pouco mais baixas. Mas a danada, muito esperta, não faz a exposição da sua figura gargalhável fácil. Outro amigo é especialista em cuidar dos parceiros bêbados e, portanto, maior contador das bizarrices etílicas dos rapazes. "O cara bebia como se comesse feno", comparava, dia desses, imitando a vítima da fofoca, para felicidade geral da nação. O problema em fazer graça é que você acaba virando o Bobo da Côrte oficial da turma e ninguém o leva a sério. "Eu nunca sei se você está tirando onda ou não", já me disse um punhado de gente. E tudo vira uma brincadeira. Mesmo quando a graça acaba, e quem fica de graça é você. Como pessoas com piadas sofríveis na modinha stand up comedy. Como o meu irmão, que, para dar uma de Patati e Patatá (piada interna para mães e pais de filhos pequenos viciados na dupla de palhaços), gravou música clássica no meu MP3, o que descobri ao chegar na esteira da academia. Conta outra! Apesar de não ter direito a cara feia ou problemas de qualquer sorte, quem faz rir por último ri melhor e de si mesmo.