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8 de outubro de 2008

Gracinha


Seria cômico não fosse trágico. Fazer rir, provocar risadas ou espasmos de diversão, neste mundo cão (rimou!), é mais difícil do que causar males em geral. E quem não tem o dom, o talento nato de palhaço ou, ao menos, uma cara de bunda - da qual o povo ri de graça -, ao tentar dar uma de engraçadinho, pode perder o amigo e a piada e, de quebra, ganhar fama de tabacudo(a). Já os humoristas de carteirinha ou de berço fazem a alegria da galera, animam uma festa como ninguém, são considerados indispensáveis na mesa do bar e costumam ser convocados como companhias ideais para curar a tristeza alheia. Uma amiga, dessas que fazem azul a rotina no trabalho, provoca sorrisos ao narrar os foras que costuma dispensar a idiotas de plantão. E o faz em siglas e mugangas. Vocabulário da magrinha: "Te enxerga, KLB!" (Ki Lapa de Bucho); "Ah, rato! (Ratomar no cu); entre outras coisas pouco mais baixas. Mas a danada, muito esperta, não faz a exposição da sua figura gargalhável fácil. Outro amigo é especialista em cuidar dos parceiros bêbados e, portanto, maior contador das bizarrices etílicas dos rapazes. "O cara bebia como se comesse feno", comparava, dia desses, imitando a vítima da fofoca, para felicidade geral da nação. O problema em fazer graça é que você acaba virando o Bobo da Côrte oficial da turma e ninguém o leva a sério. "Eu nunca sei se você está tirando onda ou não", já me disse um punhado de gente. E tudo vira uma brincadeira. Mesmo quando a graça acaba, e quem fica de graça é você. Como pessoas com piadas sofríveis na modinha stand up comedy. Como o meu irmão, que, para dar uma de Patati e Patatá (piada interna para mães e pais de filhos pequenos viciados na dupla de palhaços), gravou música clássica no meu MP3, o que descobri ao chegar na esteira da academia. Conta outra! Apesar de não ter direito a cara feia ou problemas de qualquer sorte, quem faz rir por último ri melhor e de si mesmo.


7 de agosto de 2008

Autodoação


Para os amiguinhos que riram da minha mudança de auto-suficiente para apreciadora da ajuda alheia (supostamente assumida no post anterior), a prometida letra da musiquinha que fiz aos 15 aninhos, na sala de aula, achando a coisa mais séria do mundo. Até os 18, alguns dos amiguinhos que já me conheciam cantavam e também achavam a coisa mais séria do mundo. Dois fizeram as melodias mais sérias do mundo para adaptar. Ah, como era bom ser a maior ridícula do mundo! Ao menos, ainda levo o rock'n'roll a sério...mas não preciso ser uma camisa-preta baixo-astral, né?
***
Autodoação
Nuvens frias pela praia
Peixes mortos no porão
Cortina de seda nos rochedos
Violetas pelo chão

Sintos as veias inflamarem
Com teus olhos torturantes
Pétalas e mantos negros
No marasmo de um instante
(Refrão)
Eu queria ser meu próprio caminho
Mas meu peito não sabe pulsar sozinho
Eu queria ser meu próprio caminho
Implorar sob os meus pés.
(2 x)

Preciso me dar uma chance
De lutar contra o inconstante
Digerir minha consciência
Pedir-meu um pouco de paciência

Enquanto meu barco não naufraga
Meu espírito não se afoga
Quero ouvir os meus próprios gritos
E morrer sobre a minha cova.

(Refrão)