3 de junho de 2009

De filososfia, de nóia e de amor


Enfim um remédio eficaz - embora paliativo - para a dor de cotovelo: a filosofia. Nada mais certeiro, pé no chão, água fria, brochante do que pensar, pensar até chegar a partículas de sentido/razão. Se o excesso de análise racional questionadora golpeia forte a ilusão, para o bem ou para o mal (e isso existe?), o fato é que incentivar os neurônios combate o efeito trágico de sensações como rejeição, não correspondência, traição, humilhação, ausência e outras tantas típicas de quem sofre por amor. Um bom exemplo desse simplório diagnóstico é seu avesso - quando estamos eufóricos de felicidade, inflados como balão, flutuando nas alegrias cor-de-rosa, e alguém nos acorda, nos faz questionar até racionalizar um tantão, POW! , é queda certa. Na mesma medida, o veneno da alegria pode ser o remédio da tristeza. Simples assim. São infinitos os caminhos para se chegar a tal receita, mas, a princípio, podemos questionar o que nos faz amar aquela criatura e - o mais importante - sofrer por não tê-la naquele instante. "O negócio não é encontrar as respostas, mas sim fazer boas perguntas", recomenda o filósofo, sem saber que funciona também como médico de almas. O que nos atrai, o que nos faz desejar o outro? Atributos, características, impressões? Tão convincentes quanto nos anúncios de carro, as ilusões despertas por nossos desejos de consumo nos fazem acreditar no bom negócio que efetivaremos por meio daquela aquisição. Sem falar no quesito beleza, que é o mais idiota e vazio de todos, apaixonar-se por alguém pelas características que agrega (doçura, inteligência, bom-humor, blablabla) é investir num produto pelo custo-benefício. Conquistá-lo dará à minha vidinha bom-humor, doçura, sabedoria e blablabla? Não tê-lo subtrairá tais coisas da minha vida? Na verdade, se botarmos lenha na caixola, veremos que nos apaixonamos pela paixão, desejamos o desejo, amamos o fato de estarmos in love, e não o "objeto" e suas qualidades. Queremos ter um carro, ponto. Mas a propaganda quer nos vender as sensações de liberdade, conforto, poder. Gostar de alguém não é tão grave pelo simples fato de entendermos que gostamos de sentir aquele desejo, por um, por outro e por tantos com os quais ainda vamos nos envolver. Claro que existem as pessoas com quem temos grandes afinidades, que admiramos absurdamente, que nos deixam moles de tanto querer. Mas é justamente esse excesso, esse transbordar que nos deixam "apaixonados". E excesso sempre traz o perigo, a tensão e, não raro, o desastre. "Onde tem paixão tem dor; é só uma questão de perspectiva". E não é? Nesse estado, sempre alternamos euforia, depressão, medo, loucura, calma...nunca paz, equilíbrio. Se essa mistura é tão óbvia, por que ainda nos apaixonamos por criaturas que não passam de conversíveis vermelhos, quando podemos curtir um fusquinha ou até nos locomover a pé? E sabendo que a estrada sempre terá buracos, sejam quais forem os pneus ou sapatos. E se dando conta de que conversíveis vermelhos nem são tão importantes para nós. Amor mesmo não se justifica por conveniências, não se estabelece em padrões ou se compra por influência da propaganda. Logo, sofrer por não ter alguém que sequer produz o excesso é sem sentido. Eu avisei: o remédio era para morgar. Foi bom pra você também?

6 comentários:

irmão wilson disse...

=)

sofia disse...

=)

Tatis disse...

" =) "



Pra mim pelo menos, foi uma dilicia!

Carlos Magnata disse...

Todo apaixonado é um bipolar por excelência - o segredo é saber curtir o ápice e não esperar nada, pra evitar a depressão...

eu, de minha parte, adotei a bicilteta nos caminhos do recife e do amor.

xero

Luciana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luciana disse...

E quem ama, ama o amor, e não outra pessoa...