Histórias as mais interessantes se podem contabilizar quando o assunto é relacionamento via internet. Não falo de joguinhos fúteis e abomináveis do tipo "De onde tc? Tem webcam?". Mas de como essa rede danada revolucionou o que se entendia por amizade, namoro ou casamento, ao diminuir distâncias, extinguir barreiras de tempo e espaço e escancarar ou mascarar sentimentos. Pro bem ou pro mal, o fato é que a net tornou-se madrinha de um número absurdo de casais, que se conheceram, se reconheceram, se reencontraram ou se transformaram não através de, mas por causa de chats, e-mails, orkut e tudo o mais. Ainda na década de 90 e seus primatas, como o mIRC, uma amiga se engraçou por um rapaz, da mesma cidade, que freqüentava o mesmo bat"canal". Casados até hoje. Este hoje em que outra querida amarga a ausência do namorado de longa data, que está fazendo curso no Canadá. Mas tem chat, tem voz, tem imagem...quase tato, quase cheiro. Um quase que tortura, segundo outra, que encontrou um dos poucos caras casáveis do mundo por acaso, via orkut, mas ainda não teve oportunidade de tocar os pêlos do seu rosto. Rosto como deve ser o do noivo negeriano de uma simpática romântica, que espera, há dois anos, pela primeira visita do amado, viúvo, que pretende trazer o kit completo (4 filhos) ao Brasil, para que sejam felizes para sempre. Sempre que é igual a nunca: não se pode dizer. Dizer aquelas premissas perigosas, "eu te amo", "não te quero mais", que podem tornar as coisas mais fáceis ou precipitar; que podem ser falsos ou soar de forma errada. Errado é usar a rede pra enganar, fingir, magoar, brincar com sentimentos, banalizar, não ser. Somos vítimas do efêmero, do virtual e da conectividade full time, mas ainda valem os princípios do Bem, a honestidade e o apego às relações verdadeiras. Verdade não sai de moda. E se é moda ser superficial e falso, que se apaguem os flashes e recue a passarela!
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6 de novembro de 2007
Na rede
Histórias as mais interessantes se podem contabilizar quando o assunto é relacionamento via internet. Não falo de joguinhos fúteis e abomináveis do tipo "De onde tc? Tem webcam?". Mas de como essa rede danada revolucionou o que se entendia por amizade, namoro ou casamento, ao diminuir distâncias, extinguir barreiras de tempo e espaço e escancarar ou mascarar sentimentos. Pro bem ou pro mal, o fato é que a net tornou-se madrinha de um número absurdo de casais, que se conheceram, se reconheceram, se reencontraram ou se transformaram não através de, mas por causa de chats, e-mails, orkut e tudo o mais. Ainda na década de 90 e seus primatas, como o mIRC, uma amiga se engraçou por um rapaz, da mesma cidade, que freqüentava o mesmo bat"canal". Casados até hoje. Este hoje em que outra querida amarga a ausência do namorado de longa data, que está fazendo curso no Canadá. Mas tem chat, tem voz, tem imagem...quase tato, quase cheiro. Um quase que tortura, segundo outra, que encontrou um dos poucos caras casáveis do mundo por acaso, via orkut, mas ainda não teve oportunidade de tocar os pêlos do seu rosto. Rosto como deve ser o do noivo negeriano de uma simpática romântica, que espera, há dois anos, pela primeira visita do amado, viúvo, que pretende trazer o kit completo (4 filhos) ao Brasil, para que sejam felizes para sempre. Sempre que é igual a nunca: não se pode dizer. Dizer aquelas premissas perigosas, "eu te amo", "não te quero mais", que podem tornar as coisas mais fáceis ou precipitar; que podem ser falsos ou soar de forma errada. Errado é usar a rede pra enganar, fingir, magoar, brincar com sentimentos, banalizar, não ser. Somos vítimas do efêmero, do virtual e da conectividade full time, mas ainda valem os princípios do Bem, a honestidade e o apego às relações verdadeiras. Verdade não sai de moda. E se é moda ser superficial e falso, que se apaguem os flashes e recue a passarela!
3 de outubro de 2007
Florbela me Espanca 1

Inconstância
Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…
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