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28 de setembro de 2007

Briga de galo


Achei graça quado aquele senhor banguela me convidou a ocupar o assento vazio do seu lado, naquele ônibus lotado. Porque ele estava com um galo na bolsa. Enquanto conversava com um amigo, de pé, o senhor se intrometeu e começamos a prosa. Eu quis dar uma lição, quando o veim disse que o galo era de briga. "Por que o senhor não arruma alguém do seu tamanho e vai o senhor mesmo brigar? Os animaizinhos é que sofrem!". Não sabia eu que a liçao estava reservada pra mim. Por simpatia à minha pessoa, o mestre contou sua história de luta enquanto preso político na Ditadura. E mostrou marcas. E chorou. E venceu. "Se alguém me perguntar hoje se sou comunista, ainda digo que sim. Não sou é terrorista", concluiu o sábio simples. E eu espero ter absorvido aquele exemplo de luta, com uma sede de justiça talvez tão grande quanto a minha, mas, sem dúvida, anos-luz acima da minha pretensão de querer ser forte.