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26 de novembro de 2010
É 8 ou 80
É porque a coluna do meio sempre me angustiou. Ou pela agonia de ver minha mãe sempre partir o remédio na metade, contrariando a bula. Sei lá se também tem a ver com a mania de números pares. O fato é que o Seu Lunga que há em mim estimula a característia 8 ou 80. Aquela que chamam radical. Ou dramática. Ou impulsiva. Tem suas desvantagens ser prática. Deixamos de apreciar algumas nuances entre as dezenas que dão nome a essa expressão que qualifica as pessoas mais peif-bufs. Por outro lado, essa história de ficar sempre no mais ou menos, no não sei e no quase lá geralmente tende a ser atraso de vida. Inseguranças, dúvidas, angústias intermináveis ou mesmo demasiado uso da expressão "veja bem" definitivamente me dão a sensação de perda, ou melhor, desperdício de tempo, de palavras e de emoções. Tão melhor dar logo a real, desprezar as meias palavras e evitar enrolações, não? Claro que esse perfil de gente pode assustar, principalmente pelas escolhas sentenciais. Feito o avô de um certo carinha, conhecido, na infância, como Pedro Doido. O velho tava descendo a ladeira, no carro, com o neto, quando descobriu que o freio não funcionava. Não teve dúvidas: acelerou. "Vô, tá acelerando por quê (mô véi, teria dito ele se o fato ocorresse nestes nossos tempos)?". "Ah, Pedrinho, porque desgraça só presta muita". E é mermo. Antes um pé na tábua do que um pé na bunda, na cova ou no meio de qualquer coisa.
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