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25 de junho de 2010
Mundo cão
Horas existem em que dá vontade de esquecer princípios, religião, lucidez, ponderação, justiça. Essa última, de tão abstrata, então, nem serve mais de vapor no sonho. Ô mundinho cão! Quem se esforça em fazer o que é certo parece valer (bem) menos do que o que mente, maltrata, agride. E o algoz capaz de rir por último. Com aplausos dos responsáveis pela justiça humana, se brincar. Incrível como chega a ser difícil falar para si mesmo do que tarda, mas não falha, do que Deus tá vendo, do que ninguém escapa. Diante de tanta maldade, violência, hipocrisia, cinismo e falta de escrúpulos, como preservar o que há de bom? Como proteger os que vêm? E deixar tranquilos os que vão? Fé é o que resta. E, mesmo assim, não é resto. É como se diz: madeira-de-lei que cupim não roi, quem espera sempre alcança, a verdade sempre aparece. Apegar-se aos provérbios e torná-los mantras. Talvez se façam luz mediante repetição.
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