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19 de setembro de 2008

O nosso mundo


Eu bebo a Vida, a longos tragos,
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu olhar eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos...
Os meus sonhos agora são mais vagos...
O teu olhar em mim, hoje, é mais eterno...
E a Vida não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A Vida, meu Amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?
Que importa o mundo e os seus orgulhos vãos?
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!
(Florbela Espanca)