
Preciso criar um personagem. Alguém melhor do que eu...ao menos, mais atraente. Mais bonito, mais rico, bem-sucedido, intelectual, requintado e bem-humorado. Não...assim feliz e perfeito demais não vai convencer ninguém. Mal-humorado então, mas só de vez em quando, nos intervalos do sarcasmo. Isso! Nada mais interessante do que um homem belo, possante e sarcástico. Huuum...talvez devesse lançar mão de alguns desses clichês. Mas, sem lugar-comum, não teria graça. É, preciso de graça na minha vida. Quem sabe rir um pouco nem que seja da ingenuidade alheia? Alguém me aceitaria travestido do personagem? Seria eu capaz de seduzir, de longe, intrigar, atrair? Ah! Vou testar minha habilidade de persuasão. Sempre fui o melhor em manipular intelectos frágeis. Ou corações. Vou me ocupar, talvez me me divertir. Meu personagem será minha vida paralela. Ao menos agora terei vida. Fotografias de velhos amigos, bom gosto musical e literário, sensibilidade, charme e poder. E eu posso. Já pude! Criei. Sou eu, e estou aqui. Você acredita? Faça-me real, pois! Pode ser que o autor dessa façanha não esteja mais lá ou aqui quando meu sorriso, hipócrita, sair da tela.