16 de janeiro de 2009

Fim de novela


Mulheres grávidas, casais felizes e pessoas ricas. Nem sempre assim terminam as novelas. Principalmente as da vida real. Semelhante às mexicanas, as historinhas de carne e osso têm dramas previsíveis, mas os capítulos derradeiros podem não incluir filhos bastardos, parentescos inesperados e incríveis descobertas. A vida crua tem de seus finais, embora muitos ainda não tenham atentado para seu caráter cíclico e para a ausência de "pra sempres" e "nuncas mais". Conclusão de etapas, pois, podem ser encaradas como términos, fins de linha, the end, e tal fato não precisa ser necessariamente ruim. Mudar de emprego, acabar o namoro, trocar de endereço, desprezar hábitos antigos. Todo fim implica começo, e começo é sempre delicioso. Dois amigos, de sexos opostos, estão sofrendo por descobrirem finitos seus respectivos relacionamentos com pessoas que julgavam suas. Idéias de posse, de exclusividade e de fatalismo tornam mesmo as rupturas difíceis. Melhor pensar que tudo pode ter fim, que o dia de amanhã é incerto e que ninguém (ou nada) é de ninguém. Dessa forma, o peso do fim não nos arremessa ao fundo do poço e terminar algo só vai dar a sensação de aprendizado para novos começos. Há algo melhor do que renovar a esperança no desconhecido, sem temer a drasticidade dos fatos? Mocinhos e vilões, bonzinhos ou psicopatas, coadjuvantes ou protagonistas. Precisamos apenas de um bom roteiro e de finais imprevisíveis.

3 comentários:

nobody disse...

é preciso ter coragem. ser livre pra ser mocinha ou até vilã...

nobody disse...

-"Carece de ter coragem..." - ele me disse.
Visse que vinham minhas lágrimas? Doí de responder:
-"Eu não sei nadar..." - O menino sorriu bonito e afiançou:
-"Eu também não sei." Sereno, sereno.
Eu vi o rio. Via os olhos dele, produziam uma luz.
-"Que é que a gente sente quando tem medo?" - Ele indagou, mas não estava remoqueando, não pude ter raiva.
-"Você nunca teve medo?"- Foi o que me veio de dizer. Ele respondeu:
-"Costumo não..."

(tava olhando os meus posts mais antiguinhos)

Fabio disse...

O finito nada mais é que o agora, que neste momento se torna o passado que um dia foi o futuro. Tudo é um ciclo, mas hoje o agora é o que sinto.