Tão ingênuo acreditar
Que a vida será diferente
Se na alegria já se pressente
Estrondo grave, trovão do penar
E por que, ao se assustar,
A gente não se defende
E se protege, demente,
Para não ter de enxugar
A chuva, que teima em cair
Relâmpago claro a partir
O peito já dolorido?
Mas não adianta entender
Por que se merece sofrer
Se tudo já foi diluído.