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22 de junho de 2010

Sopa de letrinhas

Eram seis. Feito aquela novela. A com B, C com D e E com F. Amigos na mesma mesa do bar de sempre, anos atrás (poucos). Depois D apaixonou-se por A, que, pela amizade com C e pelos resquícios de amor a B, recuou. Mas a combinação tinha de se fazer um dia, e se fez. Em seguida, C se resolveu com F. Verdade que E ficou solteira. E o tal do B também. Não necessariamente sós. Mas o legal de toda a sopa de letrinhas foi o beabá de D com A. Casaram. Mudaram-se. Não chegam a ser Eduardo e Mônica. Nem Romeu e Julieta. Mas são dos poucos exemplos de sílaba tônica. Ou preposição + artigo. Definido, sempre. Dia desses, de volta aos cenários de alfabetos passados, mostram por que aprenderam o abecê. E a gente compra a cartilha. Pra um dia saber escrever.    

12 de junho de 2010

Feliz Dia dos Nãomorados Ano IV


Desta vez é diferente. Não porque ser solteiro é bom; apenas não é ruim. Não porque a ausência de companhia é a perfeição; apenas é verdadeira. Não que namorado seja péssimo; apenas deve existir em algum lugar que não aqui e num tempo que não é hoje. Deixemos de lado a ode ao momento conveniente. Se acompanhado, é a pessoa mais feliz do mundo; se solteiro, é a maior curtição. Preocupar-se em traduzir em felicidade o que se passa talvez seja o erro. Erro também estar solteiro ou comprometido por algum motivo que não seja honesto. Amar é honesto. Não se forçar a amar o conveniente o é igualmente. Enquanto o status de relacionamento for importante felicitômetro, continuarão as decepções, os namoros mornos, a inquietude, a solteirice desvirtuada, a badalação com direito a vazio-day-after... Conhecer, assumir e respeitar o que se sente talvez seja o resumo do manual. Calibremos, portanto, os instrumentos de aferição da felicidade sem o peso do estado civil. Nada mais triste do que estar com um namorado para cumprir tabela; ou estar solteiro pela variedade de opções no menu. Quando entendemos que relacionamento significa companheirismo, afinidade, tesão e compromisso, lembremo-nos também do caráter transcedental da união, ou da solidão saudável. Se, ao fecharmos os olhos, experimentamos a sensação de integralidade e conexão cósmica, estejamos envolvidos ou não com alguém, comemoremos. Afinal, com aliança ou só consigo, a ordem é ser livre para escolher.