Quatro dias para se libertar dos papéis sociais de filha, chefe, marido, desempregado, desportista, rico, pobre. A fantasia de Carnaval pode servir bem a esse intuito de muitos. Personas que, nesta época gloriosa, dispendem eforços, cédulas e neurônios para encontrar o look mais irreverente e bonito, mas que também investem no maravilhoso poder de Momo para esquecer a rotina e vivenciar um mundo paralelo de alegrias e alegorias. A escolha dos adereços denuncia, portanto, quem você deseja ser nesse adorável mundo novo. O super-herói que tudo pode e tudo faz; as sedutoras dançarinas de cabaré, vampiras e diabinhas; os palhaços bonachões. Ao fincar o pé na cidade ladeirosa, abre-se a passagem secreta para esse universo platônico, onde a máscara eterniza o sorriso e a purpurina passa a ser o seu sangue e seu suor. Lá não tem classes sociais, responsabilidades, medo, timidez, intriga, inveja. Plumas nos dão asas, cores nos fazem bons, músicas nos tornam irmãos. Dar adeus a esse mundo, nas Cinzas, é triste e melancólico, pois a vida real não permite felicidade. Roubamos, portanto, punhados de confetes pisados, pedaços de chita suada, um batom quebrado...com a intenção de, vez em quando, na clandestinidade, vestirmo-nos da alegria que esta realidade ainda vai experimentar, numa época vindoura, quando formos verdadeiros pierrots e colombinas, passistas a bailar. Enquanto não chega esse mundo ideal, sejamos uma versão melhorada de nós no planeta Carnaval.
13 de fevereiro de 2009
Planeta Carnaval
Quatro dias para se libertar dos papéis sociais de filha, chefe, marido, desempregado, desportista, rico, pobre. A fantasia de Carnaval pode servir bem a esse intuito de muitos. Personas que, nesta época gloriosa, dispendem eforços, cédulas e neurônios para encontrar o look mais irreverente e bonito, mas que também investem no maravilhoso poder de Momo para esquecer a rotina e vivenciar um mundo paralelo de alegrias e alegorias. A escolha dos adereços denuncia, portanto, quem você deseja ser nesse adorável mundo novo. O super-herói que tudo pode e tudo faz; as sedutoras dançarinas de cabaré, vampiras e diabinhas; os palhaços bonachões. Ao fincar o pé na cidade ladeirosa, abre-se a passagem secreta para esse universo platônico, onde a máscara eterniza o sorriso e a purpurina passa a ser o seu sangue e seu suor. Lá não tem classes sociais, responsabilidades, medo, timidez, intriga, inveja. Plumas nos dão asas, cores nos fazem bons, músicas nos tornam irmãos. Dar adeus a esse mundo, nas Cinzas, é triste e melancólico, pois a vida real não permite felicidade. Roubamos, portanto, punhados de confetes pisados, pedaços de chita suada, um batom quebrado...com a intenção de, vez em quando, na clandestinidade, vestirmo-nos da alegria que esta realidade ainda vai experimentar, numa época vindoura, quando formos verdadeiros pierrots e colombinas, passistas a bailar. Enquanto não chega esse mundo ideal, sejamos uma versão melhorada de nós no planeta Carnaval.
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está faltando um grau pra meu corpo pegar fogo
11 de fevereiro de 2009
Vacina de coração

O mal de abrir um coração aparentemente protegido, diante de pequenas emoções, é que elas podem evoluir em proporções não permitidas. E, se são proibidas, pelo risco que causam à também aparente estabilidade emocional, devem ser reprimidas? Ao responder que "não, só dessa vezinha", sob a desculpa de não haver perigo, damos a brecha que o tal músculo involuntário precisa para tomar conta de todo o resto. Instalado o vírus emocional, não há anticorpos que defendam as mãos de tremer, a mente de se confundir e o peito de doer. Quando se opta pelo equilíbrio, pela calmaria cardíaca, não é bom soltar as amarras. Precisa-se de vacina, e ela só pode ser fabricada, como no caso das cobras, a partir do nosso próprio veneno. Buscar o antídoto dentro do coração vagabundo, que quer guardar o mundo em si: eis a fórmula. Repressão, auto-controle, distância, meditação...vale tudo para não quebrar em pequenos cacos o que já não suporta mais remendos.
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pra acelerar um coração que já bate pouco
8 de fevereiro de 2009
The Best
O problema está em querer ser o melhor em, pelo menos, uma coisa; a Síndrome do Especial; a mania de crachás e títulos (talvez medalhas e troféus). Embora muitos de nós declaremos simplicidade, falta de espírito competitivo, cuca bem resolvida, queremos, a todo custo, ser lembrados por alguém como referência disso ou daquilo. De preferência, que esse alguém nos ache a mulher ou o homem da vida dele, mesmo que já esteja em outra. Ou também podemos ser os melhores amigos, os grandes filhos modelos, as paixões devastadoras e memoráveis. E tudo o mais que nos faça acreditar que somos mais do que um palito de fósforo na caixa plena. Contos de fadas, incentivo dos pais na infância, competições desportivas, vestibulares...os fatores externos até que podem contribuir para a nossa vontade de ser mais e melhor. Mas essa necessidade de marcar, tatuar, incomodar, abalar só denuncia nosso descrédito frente ao espelho. Nossa auto-estima pode até nem estar lá embaixo, todavia não se pode considerar o bom estado diante dessa cobrança incansável por destaque. Pode não ser como a gente quer nem com os louros sonhados...mas certamente somos bons em alguma esfera; e não necessariamente precisamos ser melhores do que os outros. Quem precisa da comparação com terceiros para acreditar-se bom carece de aprender mais um pouco sobre como estar bem consigo. Ela está com outro, ele escolhe outras, ela não se importa comigo, ele não me percebe...deixa estar. Com as voltas deste mundinho redondo, não há vencedores, derrotados, nem mesmo as batatas. Nossas escolhas e até certas interferências supremas nos farão subir ao pódio na maratona por nós mesmos. E, se precisamos de troféu, que ele seja não dourado do reconhecimento alheio, mas reluzente o suficiente para fazermos bem com o pouco que somos.
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...mas o alvo,
na certa,
não te espera
24 de janeiro de 2009
Pior cego é aquele que não quer ver

Existem mais coisas entre o cérebro e a retina do que supõe nossa vã filosofia. Mas uns supõem mais do que outros. Alguns menos. Ver, observar, perceber e compreender nem sempre são verbos similares/complementares ou mesmo coexistentes. Para cada fato concreto corresponde uma visão abstrata, uma danada de uma interpretação que teima em distorcer, super ou subestimar e até inexistir em determinados casos. A visão turva, essa miopia triste ou um astigmatismo crônico acontecem muito quando os fatos envolvem emoções atrapalhadas do coração. E é por culpa desses males que ficamos cegos perante o óbvio, muitas vezes. Alguém que vê o desinteresse do outro e, esperançoso, desenvolve uma hipermetropia capaz de enxergar além dos fatos, enganar-se com miragens provocadas por sua sede não satisfeita ou correspondida. Outrem que sequer altera suas impressões oculares diante da paixão escancarada de quem ocupa a ala de amigos no seu peito, mas gostaria de visitar cômodos mais quentes. Pior cego é o que não quer ver...porque ele enxerga, mas não assimila. Percebe, mas não crê. O que vê é o que deseja, o que satisfaz seus olhos como colírio. Lentes corretivas, filtros, películas, líquidos que desembacem: vale tudo para olhar o que existe de fato. Ver o óbvio e se convencer pode poupar boa parte das desilusões, próprias ou alheias. Óculos podem até dar charme e distinção. Mas nem todo cego gostaria de poder usá-los.
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quem não tem colírio usa óculos escuros
22 de janeiro de 2009
Filosofia de praia

A - Pois eu só uso maiô. Na verdade, apesar de não gostar do meu corpo, faria plástica no nariz.
B - Eu tb. Só para afilar mais. Se bem que uma lipo seria perfeita. Um dia farei.
C - Na boa, eu mudaria muita coisa no meu corpo, pois sou cheia de defeitinhos. Mas, com o valor de uma plástica dessas, faria uma viagem massa.
B - Mas levaria o corpo junto.
C - Antes um corpo feio em Paris do que um lindo por aqui.
A - Se você fizer plástica por homens, realmente. Tem que ser por você, pra você se gostar.
C - Mas eu me gosto. Não tenho problemas comigo. Se os homens tiverem, eles é que não são páreos para mim!
A, B - Isso! Outra cerveja então!
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futilidade produtiva
16 de janeiro de 2009
Fim de novela

Mulheres grávidas, casais felizes e pessoas ricas. Nem sempre assim terminam as novelas. Principalmente as da vida real. Semelhante às mexicanas, as historinhas de carne e osso têm dramas previsíveis, mas os capítulos derradeiros podem não incluir filhos bastardos, parentescos inesperados e incríveis descobertas. A vida crua tem de seus finais, embora muitos ainda não tenham atentado para seu caráter cíclico e para a ausência de "pra sempres" e "nuncas mais". Conclusão de etapas, pois, podem ser encaradas como términos, fins de linha, the end, e tal fato não precisa ser necessariamente ruim. Mudar de emprego, acabar o namoro, trocar de endereço, desprezar hábitos antigos. Todo fim implica começo, e começo é sempre delicioso. Dois amigos, de sexos opostos, estão sofrendo por descobrirem finitos seus respectivos relacionamentos com pessoas que julgavam suas. Idéias de posse, de exclusividade e de fatalismo tornam mesmo as rupturas difíceis. Melhor pensar que tudo pode ter fim, que o dia de amanhã é incerto e que ninguém (ou nada) é de ninguém. Dessa forma, o peso do fim não nos arremessa ao fundo do poço e terminar algo só vai dar a sensação de aprendizado para novos começos. Há algo melhor do que renovar a esperança no desconhecido, sem temer a drasticidade dos fatos? Mocinhos e vilões, bonzinhos ou psicopatas, coadjuvantes ou protagonistas. Precisamos apenas de um bom roteiro e de finais imprevisíveis.
2 de janeiro de 2009
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