30 de novembro de 2008

Dezembro

The blood of fish - Gustav Klimt

Chegou a hora de planejar. E, assim, renovar pequeninas esperanças que andam soltas ou mesmo perdidas dentro de nós. Nem que seja apenas para escolher onde passar o Réveillon...ou fazer uma lista de metas para o ano iminente. Engraçado perceber a capacidade humana de renovação, por mérito ou convenção; a onda dos sinos e luzes do mês doze arrasta até os mais descrentes. Todavia, parece igualmente excitante a idéia de mergulhar de olhos fechados num mar desconhecido. Não saber o que nos espera e o que esperamos de tudo. Talvez bom mesmo seja o não esperar. E dar à virada de ano um requinte de aventura, com a garantia de um tantinho a mais de equilíbrio. Afinal, se a vida programada, metódica e linear causa desgosto nos mais inquietos, deixar os segredinhos desta piada mundana nas mãos da Providência pode ser o motivo maior do sorriso na hora do champanhe. Dezembro é, portanto, espumante.

24 de novembro de 2008

Vida Playmobil


Fui provar roupa na cabine e chorei. Bem que poderia ser título de filme ou peça, não houvesse um tantão de vida real nessa tragicomédia. O depoimento da amiga provocou risadas, mas não houve pedras na pobre Geni. Quem está 100% satisfeito com o peso afinal? Se muitos dedos fossem levantados agora certamente não chegaria no lixo do e-mail tanta mensagem do tipo "Emagreça 20 quilos em uma semana", as revistas não estampariam semanalmente manchetes mentirosas como "Perca peso sem esforço" nem as ruas seriam poluídas com os famosos panfletos "Quer emagrecer? Pergunte-me como". É um fenômeno 'midiático' parecido com os milagres do nível: "Aumente seu pênis em até 7 cm" e "Cabelos lisos e sedosos em apenas uma aplicação". Embora banalizado, o problema deixa de ser engraçadinho para se tornar triste quando observamos que os seguidores do Padrão Globo de Qualidade não estão no Mundo dos Cérebros Atrofiados, e sim na nossa família, na roda de amigos ou até do outro lado do espelho. De tanto ler Quem e Caras na sala de espera de consultórios médicos, por exemplo, a gente vai achando que tem que ter cabelo liso, corpo esquelético, silicone e vestuário Versace para ser popular como líderes de torcida norte-americanas. Estamos virando um bando de playmobil: mulheres de chapinha e calça legging; homens de cabelinho emo e camisa apertada no braço. Falamos de brega, carros e futebol. Na verdade, somos risíveis. Bonecos de dois dedos e cabelo de cuia. Monótonos e igualmente sem graça. Gosto de gente normal; pode até ter cara de Lego, Fofão ou Cascatinha (meda), mas um nariz grande, uma celulite e um black power não fazem mal a ninguém. Por uma barbie baixinha, um Cebolinha de bigode ralo, uma Moranguinho fofinha e um dinossauro Barney gay (pleonasmo?)!

17 de novembro de 2008

E não viveram felizes para sempre


Assistir a filmes infantis tem seus encantos, quando não se processa a típica lavagem cerebral causada por músicas-chiclete (quem tem filhos pequenos sabe o que é passar o dia com notas musicais de Patati e Patatá, Moranguinho e Cocoricó na caixola). Melhor ainda quando você se identifica com um dos personagens, a ponto de até torcer por um final feliz, quando sempre espera que ele não aconteça, como no cinema adulto e agradavelmente ranzinza. Ele era legal, esperto, mas não deixava que a filha lesse típicos contos de fada, nos quais nem maçãs envenenadas nem terríveis maldições são capazes de impedir o "felizes para sempre". Aí, claro, aparece uma princesa (literal) da Disney que o faz apaixonar e voltar a acreditar no amor eterno. E, mesmo sendo uma comédia romântica, acaba cor-de-rosa. Apesar das risadas, continuo evitando que meus filhos assistam aos melosos como Cinderela, Bela Adormecida e A Pequena Sereia. Pois cheguei à conclusão de que boa parte dos problemas femininos vêm dessa crença no príncipe salvador, de cavalo branco. Taí a causa da desilusão feminina com os seres do sexo oposto. Crescem acreditando que vão salvá-las do perigo, de bruxas, lobos e situações horrendas em geral. Têm certeza, desde menininhas, que eles são gentis, cultos, sensíveis e - o pior - sedentos por compromisso (casar e ser feliz para sempre). Quando descobrem, com a chegada da puberdade, que, na verdade, os homens são os próprios lobos e vilões dos contos de fada da vida real, experimentam da terrível desilusão. É bom que saibam logo onde vão pisar. Além do tapete vermelho e da grama suave, seus pezinhos podem não estar protegidos pelo sapatinho de cristal. Homens são reais; finais não são sempre felizes; e achar que a felicidade está somente em viver ao lado de um cara pode transformar a história numa tragédia.

13 de novembro de 2008

Ménage a cafuçois


- Meu nome é Júlia...e eu sou cafuçólatra.

- Seja bem-vinda, Júlia! (coro)

- Obrigada. Eu estou aqui porque trabalho num ambiente de tentações. Os cafuçus se aglomeram por todos os lados. Já consigo ser amiga de alguns, sem esconder tanto minhas preferências. Sem vergonha. Regatas e pelos me interessam. Jeans cintura alta e sapatos mocacins sem meia também. Lá, eu sou "princesa", "filé" e "minha flor". E eu gosto disso.

-Parabéns, Júlia. Só por hoje, você arrumou um, ou melhor, dois cafuçus para chamar de seus.
- Clap clap clap



10 de novembro de 2008

Clique seu cafuçu!


Não importa se tens tara ou apenas admiração. Se achas a condição essencial ou somente plus. Cafuçu está para o macho como a Amélia está para a fêmea. Isso não quer dizer que a admiremos - mas trata-se igualmente de uma lenda, de um ideal masculino, às vezes (esperamos) inconsciente. O cafuçu também. Não achamos atraente o cuspir no chão e as cantadas baratas, mas, no fundo, gostamos do espírito Neanderthal do homem, de um ar levemente Stalone Cobra, de uma cretinice só de leve (e de mentirinha também. Afinal, canalha tá ultrapassado). Enfim, I love cafuçu. Você também lova. Todas nós lovamos (negar para quê?).
Portanto você, fêmea selvagem, não precisa mais se esconder. Sabemos que, em seu mais profundo existir, habita uma Amélia à espera de um Jeca. Há um desejo forte e incontrolável, que pede, que clama por um cafuçu.


Se não tem coragem de casar com um (esperta! continue assim!), não se acanhe, liberte-se: registre esse momento! Tire uma foto e mande pra gente. Faça parte da Terapia do Cafuçu, cujo lema é Só por Hoje vou Amar um Cafuçu. Eu, Renata Sá Carneiro Leão, 27 anos, jornalista, mãe de dois, confesso, sem medo: sou cafuçólatra enrustida. Só por hoje vou curtir minha foto com um cafuçu (observem o colete, os óculos, num evento científico, e a pulseirinha de pano. Pediu pra tirar foto comigo e perguntou se eu era casada ou solteira...típico!), vou amar um cafuçu. Clap clap clap.


Mande sua foto também. E veja sua vida mudar. Um dia de cada vez. Força!

9 de novembro de 2008

Papiro e pena


Laudos, bulas,
requisições, rótulos,
gorduras e valores energéticos.
Chega de brincadeirinha.
Voltando às infantis
e quase sempre inofensivas letras.
Em
breve,
nos
cinemas.